terça-feira, janeiro 31, 2006

Explosões... furto-me de mim,
canibal, quase, qual Adolfo,
cá estou a pingar as bermudas
de um hoje nú, em actos
completamente irreflectidos.
Daqui a nada estarei já saturado
de não ter já a concentração
para mensagens que hoje
não tive. Dei-me a imediatizações
e às suas imediações.
Procurei ser o acaso de onde algo
surge sem sentido, para me ir lendo
e continuando sem sentido.
Para quê? Para nada. Como consequência
natural e plena de ter hesitado,
disparei os cartuchos que se esvaziaram,
não de balas propriamente,
mas de tiros.
Conceito interessante,
mas, enfim, pouco relaxante...
Digo eu. Quer dizer...
é mais sei lá que outra coisa.
Rolei a cabeça para ali para algures
para o costume para o para.
Baila o baile bailarino e repete,
repete, repete, repete
disforme, sem dar por isso,
cláusula do habitual, o costume,
para para para para.
Contínuo, chego ao fim do post do costume.
Continuo em contínuo e continuo
em comboio sem passageiros nem carruagem,
nem céu, nem fumo, nem engrenagem,
nem nada com rodas.
No paradigma do paradoxo, da comparação
a um conceito frouxo
e redutor, esmigalhado em relação
ao conceito original, a ambiguidade
do costume, de sempre o paradigma,
sempre o sempre, e sempre a eternidade
de uma pontualidade, e sempre o fim
do pavio assinalado,
o contínuo.
Mas para quê... Que importa.
As alternativas, não, nem vamos voltar lá.
Sei que não as quero, mesmo que as procure,
e se o refiro, é porque quero alternativas.
Ora essa... Já chega em parte.
Sem querer que isto soe, sem me querer soar,
procuro-me assoar destas frases engripadas
na justaposição do costume.
Novos costumes, novos tédios, emergem decerto
ao incerto longe aqui à frente
e faço-me mais, mais e mais um eu
com novas realidades a mal ser eu,
em bermas angulares de inclinação regressiva
e fugitiva ao mesmo tempo.
Pressiono-me e descomprimo-me,
em jogos duais sem unidade
numa recuperação de línguas escondidas
por baixo do lodo sem saliva
e salivo-as com micróbios
e doençazinhas saudáveis doentias.
Tanto faz, reformulo, recompacto,
não páro - fiz um pacto
com o contínuo das erupções assoladoras
de cidades fantasma de disposição
das estradas e dos espectros.
Agressivo rompante de contrários suaves,
enleados uns dos outros em azia
interpretativa, e alguma estrutura completamente
imaginária num céu estranhíssimo, de cores
de fora do arco-íris, de ruídos para lá dos ruídos,
até mesmo daqueles que só os cães ouvem,
e no entanto audíveis e visíveis,
a olhos que palpitam e sabem fitar
transversais e diagonais
em tabuleiros redondos de xadrez redondo
ou de um jogo assimétrico,
ou qualquer recombinação do conceito um
com o conceito dois, mas em sintonia
com um sentido que não existe para lá
de um céu tão vago quão imberbe,
pois está longe do mundo dos pelos
ou das árvores ou dos cotovelos,
é completamente desprovido de identidade
que caiba numa cartografia artística,
psicológica ou autista.
É solene só passado muitos minutos,
e só num durante imesurável
sem tempo para a velocidade da luz
nos trazer brilho do céu,
mas com tempo para a adoração
perpassar em vibrações do tecido
do espaço em que somos e em que também é
esse céu que não se percebe
nem se atribui a nada, a nada, a mesmo nada...
Está ali, tão sem distância nem proximidade
nem união, oposição ou amálgama de sistemas métricos...
Está ali, e ali vai ficar,
infiltrado num sempre dos extremos pontuais do tempo
milimétrico repartido.
E eu, que não percebi muito bem
sobre o que é que escrevi,
apesar de ter percebido
que estava a escrever sobre alguma coisa,
mas que me vou branquear qual nuvem
para outras maneiras,
mais ou menos.